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Bulimia Literária

"Minha pátria é minha língua"
...O que quer
O que pode
Esta língua? (Caetano Veloso-Língua)


Tenho a minha língua

Na ponta da minha língua.
Circula nela inquieto, meu idioma.
Palavras me alimentam, tenho fome.
Não faz mal que eu as coma,
Devoro-as de livros, engolindo-as ávida,
Mas sofro de bulimia literária.
Regurgito no papel sílabas, palavras,
Que estavam presas na garganta...
E lá se vai a minha janta.
Forço-me a escrever, a declamar me meto...
Jorram poças de palavras em versos,
e em estrofes de sonetos.
Eu brinco

Eu brinco com as palavras
e quando posso, pinto.
Desenho no papel
em preto retinto,
letras que sinto e rabisco
em linha, em círculo
tornando em pintura
impressa no papel:
o quadro de minh´alma
em postura nua
explícita, sem véu.
Pobre Poesia

Minha poesia não tem luxo
É de rima pobre, ritmo esdrúxulo.
Não faça dos versos a desconstrução
Escorrem pelos dedos das mãos.
Líquida e certa é minha palavra
por isso escorre como água.
É quase gasosa minha poesia
Ferve, evapora, nunca esfria.
Rima pobre, sem compromisso
Principalmente pra quem é omisso.
É de uma pobreza subjetiva
Só fala a quem tem alma viva.
Não tem sentido concreto
Não dá para pegar seu objeto.
Não se pode tocar para entender
É ela que toca você.