A Olho Nu

Dispo meu olhar para te olhar,
Com meus olhos desnudos te enxergo.
Nossos olhos se falam tão alto que ensurdeço.
Vejo tua alma ao fitar teus olhos
E enxergo-te através das tuas roupagens,
da tua pele,
dos teus músculos,
do teu sangue,
dos teus ossos,
das tuas entranhas,
No teu olhar viajo ao âmago do teu corpo enfim...
Corpo vestido, mas a olho nu,
Pelos teus olhos, enxergo tua alma
Totalmente nua pra mim...

@2010 vaniaamadeu
Tua Alma
(para meu pai - junho de 2010)

Não reconheço tua alma nesse invólucro que é o teu corpo,
a deixaste escapar.
Ouço tua voz, mas o que ela diz não combina com o que tua alma diria.
Ao tentar fitar teus olhos, procuro encontrar aquela alma ...
Olhar perdido
Tento falar com a voz do coração e com a linguagem do amor,
que é a única que uma alma entende...
ela não ouve... ela se foi...tua alma te abandonou
Agora estás vazio,
Falo com o nada.

vaniaamadeu
Saudade completa

É completa a minha saudade.
Calma ou dissipada,
às vezes inquieta, concentrada.
Vem do sul, do leste, do oeste
E mais ainda do hemisfério norte.
Matar minha saudade,
Seria a minha morte...

@2010 vaniaamadeu

Pé-de-moleque


Este foi feito com voce em "mind", Clarissa, que era bem esta moleca, perereca, sarambeca, com cara de sapeca.

Moleque com pé melado
pelas brincadeiras levado
no leque das molecagens
pernas-pra-que-te-quero
dá uma de João-sem-braço.
Deixa de lero-lero
Pé-de-vento voa, corre.
Das artes ri, fica mole.
Tem mesmo que se sujar,
criança tem que molecar.
Sobe na árvore e desce,
Bola-de-gude, pipa, bete,
Pique-esconde, bafo e bola,
Depois da hora da escola.
Ah! moleque pé-de-chinelo
moleque de pé descalço,
joelho sempre ralado
rapa pé, seu pé-rapado,
com esse pé encardido,
de brincar na beira de rio.
Seu fogueteiro, buscapé...
Vê se lava esse chulé!
E vem cá, comer um pé:
um pé-de-moleque melado
Com amendoim recheado.
Depois de cair com o pé no mundo,
Ficar todo sujo, imundo
de tanto pintar o sete
Isso é o que você merece!
Come esse pé-de-moleque!
Com essa cara feliz
Come, fui eu que fiz...
Pé-de-moleque gostoso
Amanhã brinca tudo de novo
Moleque, em você me ilumino
Vive moleque, lindo menino!!!


"Ah moleque vem ca! venha ca seu moleque! Nao eu nao vou la. Venha me pegar que eu quero ver!!! (Moleque Gonzaguinha)

@2008 vaniaamadeu
M i n h a s S a u d a d e s
Longe dos olhos perto do coração


Sempre Saudade


Nunca acaba a minha saudade,
Eterna, infinita, frequente.
Saudade é bom, vem do amor.
Mas ao mesmo tempo maldade,
Pois dói lá no fundo da gente.
Dói tanto que até causa ardor
Um ardor que meu peito sente.

@2009

Saudade que me devora

Ela não diz se vai chegar,
nem se vai ficar,
muito menos se pretende ir embora...
é esta saudade que me devora.


Saudades

Tenho saudades de quem nunca vi.
De lugares que nunca fui
De emoções que ainda não vivi.

@2008
Cemitério de Pipas

Com o vento que sopra,
Com os raios que aquecem,
Sobre todas as copas,
Das árvores que crescem,

Flutuam as pipas.
Alegria dos meninos,
De todas as cores,
De todos os feitios.

Mas quando menos se espera...
(Isso faz parte do jogo)
Corta-se a linha da pipa,
Que fica livre no vôo.

A criançada correndo
Atrás daquela rainha,
Que segue a direção do vento,
Sem obedecer sua linha.

Mas se o vento por gosto,
Prende-a num fio de alta tensão,
Vê-se estampada nos rostos,
A grande decepção.

Daqueles que muito esperaram,
Por ser a mais bonita.
Uns até choraram,
Por não pegarem a pipa.

Com o passar do tempo,
A pipa ali prisioneira,
Perde a cor o papel,
Ficando só a madeira.

Olhando os fios eu vejo,
Só os esqueletos daquelas
Que inspiraram desejos
Naqueles dias de férias.

@1975 vania amadeu e revista em 2008

Publicada em
http://www.recantodasletras.com.br/autores/solar


Catuco da Vovó

Para o meu irmão Flávio





Catuco da Vovó


Para o meu irmão Flávio



Minha avó apresentava
Um franco favoritismo
Pelo Catuco da Vovó
Primogênito querido
Eram duas contra unzinho
Precisava ser protegido.
Ele era O bonzinho,
E nós duas: “minina-horríve”.

Não importava a brincadeira
Ele sempre bagunçava.
Jogava as coisas no chão,
Meu URSO VERMELHO SOCAVA,
Ria das minhas tranças,
No armário me trancava.
Por bom tempo suportávamos
Permanecíamos caladas.

Quando não mais "guentava"
Botavamos a boca no mundo:
VÓ-ÓÓÓ!  VEM CÁ-ÁÁÁÁ!!!
Vó vinha logo, num segundo,
Para tudo consertar:
Sem ouvir o nosso lero
Já ia logo a julgar:
“Catuco, larga essas minina,
Que elas num sabe brincá!”

Ora, ora que absurdo:
Duas "injustiçada"!
Muito justa minha avó,
"Tava" sendo enganada!
O sonso com cara de anjo,
Com má fama nos deixava.

O malino que aprontava
Saía limpo e ileso,
Nem uma bronca levava...
Mas tinha o rabo preso.
E lá ia o Catuco,
Com cara mais lavada.
Mas no fundo Vó sabia
Quem era a pessoa errada.

Hoje em dia a gente sabe,
Vó tinha sabedoria.
Sem nenhum estudo usava
Reversa Psicologia.
Com a contenda acabava,
Mas matava a gente à míngua.
Porque ele festejava,
Fazendo cara, dando língua.
Mas de nós Vó afastava
Sem encrenca, aquela íngua.

“Vem comigo, vem Catuco!
Vem, que eu te faço um suco!”
Dessa forma nossos ânimos
Conseguia apaziguar
E assim tranquilamente
A gente voltava a brincar.
Até a próxima vez
Que ele viesse implicar.

Justa mesmo a minha avó,
Esperta como ela só!
Fazia que protegia
O Catuco da Vovó.
Muito sábia e sagaz
Conseguia o que queria:
Em casa, reinar a paz
Sem desatada sangria.

Quanto tempo se passou,
Vovó estrela virou.
Alegrias, incertezas...
A gente casou, separou..
Cada um tomou seu rumo
Todos nós tomamos prumo. (será?)
Não importa nossa idade,
Quantos filhos ou cidade
A gente more, resida,
Minha avó sempre estará
Presente nas nossas vidas.

Nós, as "Minina-horríve"
Lembramos, rindo, com carinho
Do jeito que ela falava
Meio brava e com jeitinho.
Pra dar credibilidade
Ao "nome" que ela nos dava,
Mas a verdade era
que a ninguém magoava.
Era só sua técnica
pra acalmar a criançada.

E para meu irmão então
Não importa o que aconteça
Mesmo quando for velhinho,
Ele sabe de cabeça,
Se for rico ou se for pobre,
Para sempre conquistou,
Título melhor que de nobre,
De lorde, barão, de doutor.
Terá uma certeza só.
E não há certeza melhor:
Que sempre foi, é e será
O Catuco da Vovó!




"Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é não é mera coincidência"


@2008 vaniaamadeu



SÔ-ESSA!



 

Para minha irmã Eny

 

Havia uma brincadeira,

Que minha irmã inventara,

Pequenininha eu era,

E no sofá eu sentava,

Com as perninhas pra cima,

O chão elas não tocavam.

 

A revista da época

No colo a gente botava.

Passava devagar as folhas,

Quando a figura apontava...

Batíamos a mão com força:

"Sô-essa!!!" a gente bradava.

 

E quem gritasse primeiro

Era a magrela Twiggy.

Ou "desfila Mila desfila",

Ou quem sabe Barbarella,

Raquel Welch, Miss, artista.

Obviamente a mais rápida,

Era linda, a mais bonita,

Modelo da tal revista.

 

A gente gargalhava, ria...

Era aquela alegria!

Só que eu boba, não sabia,

Nem desconfiava enfim,

Que minha irmã já havia

Folheado o magazim.

 

Ela já sabia a página

Aonde tinha uma guerra,

Perereca, cacatua,

Ou uma briga de rua.

Eu gritava: "Sô-essa!"

Quando me deparava,

Com uma figura indigesta.

Ela inerte, calava,

"Sô-essa" ela não gritava.

 

Eu queria ser modelo, gente,

Não Fidel, macaco ou enchente!

Decepcionada eu ficava,

Aos prantos Vovó chamava.

Minha irmã rindo, pra mim,

O dedo em riste apontava.

Meus profundos sentimentos,

Assim ela magoava,

Pois brincadeira de "Sô-essa"

Muito a sério, eu levava.

Vó acabava com a farra,

Todas duas dispersava.

 

Mas noutro dia eu esquecia,

Do chororô que aprontara.

Era só minha irmã falar,

(Eu era boba à bessa),

"Vamo brincá de Sô-essa"!

Que no sofá eu pulava.

 

Precisava coisa pouca:

Duas "menina" à toa

Cruzeiro ou Manchete nova,

Que ficava meio rasgada...

Mãe lia revista rota.

 

Até hoje não sei de brincadeira igual.

Pra brincadeira inventada, até que era legal!

Em dia de chuva na quadra, mantinha a gente ocupada.

Longe dos perigos da rua ou de qualquer outro mal.

 

Brincadeira de "Sô-essa" continua na lembrança.

Das brincadeiras divertidas, que habitaram nossa infância.

Criativas, inventávamos maneiras de ser criança.

 

*EU SOU ESTA - seria a forma correta de denominar a brincadeira, pois a gente queria ser a figura da revista... mas quem se importa!

 

@2008 Vania Amadeu

 
 

 

Bulimia Literária

"Minha pátria é minha língua"
...O que quer
O que pode
Esta língua? (Caetano Veloso-Língua)


Tenho a minha língua

Na ponta da minha língua.
Circula nela inquieto, meu idioma.
Palavras me alimentam, tenho fome.
Não faz mal que eu as coma,
Devoro-as de livros, engolindo-as ávida,
Mas sofro de bulimia literária.
Regurgito no papel sílabas, palavras,
Que estavam presas na garganta...
E lá se vai a minha janta.
Forço-me a escrever, a declamar me meto...
Jorram poças de palavras em versos,
e em estrofes de sonetos.
Eu Sei de Cor

Eu sei de cor
Que a cor azul é dos céus e dos olhos seus

Que a cor do sol é laranja,
E a laranja é cor-de-sol ensolarada.

Verde é mar e floresta,
Flor esta que pode ser rosa.

É a cor cor-de-rosa da rosa?
Rosa nem sempre é cor-de-rosa,
Pois há rosas de toda cor.

Amarelo é a cor do meio-sorriso
por "amar-ela" escondido.

Sei de cor que preto não tem cor.
Na ausência de cor do preto,
Posso dizer que é incolor?

E que egoísta o preto,
Absorve a luz que emana do meu peito.

Sei de cor que a cor branca é toda cor
é cor do bem, da paz, do amor.

Amor vermelho-vivo é paixão e tem só um tom ajustado
Para o ódio-vermelho-sangue no amor encarnado.

Sei de cor e salteado que as cores são mágicas,
e os prismas, encantados.

Sei de cor quem furtou da cor furta-cor seus matizes,
Descolorindo o arco da minha íris.

Que agora não mais vê meu mundo colorido...
Só em preto, branco, cinza-pálido falido...


@2008 vaniaamadeu

PS: Cores me fascinam desde criança. Sou também desiner gráfica, especialista em teoria de cores. Por isso afirmo: "eu sei de cor" sobre cor e muito ainda tenho para aprender, pois é um assunto interminável. Amo as cores ou mesmo a ausência delas.

Uns Certos Amigos

"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!" (Vinicius de Moraes)


Tenho certos amigos que amo demais,
Que me trazem alegria e paz.
Uns amigos queridos
Que me fazem rir
Na hora que mais quero chorar e desistir.
Uns certos amigos tão amados
Que ninguém acredita
De tão mimados.
Amigos que moram no meu coração
Posso provar que tenho razão,
E acabar com qualquer diz-que-diz,
Pois aparecem no Raio-X,
Que com todo devido respeito,
Mostra o que tenho dentro do peito.
E lá estão eles todos sentados
Todos em fila, lado-a-lado.
Amigos coloridos ou em preto e branco
Tão queridos que os acho santos.
Uns amigos fortes
Que me dão a mão,
Sem eles não teria a menor condição.
Não os vejo sempre,
E nem é preciso,
Aparecem nas horas em que agonizo.
Amigos fiéis, que me dão socorro
Me puxam a orelha
Que eu quase morro.
Quase morro, mas acho bom
Afinal são amigos, não são?
Uns amigos loucos
Que me acham insana,
Principalmente porque os ama.
Uns certos amigos são amigos tão certos...
Melhor do que eu, já disse Roberto.
Milton diz que é pra se guardar
Tenho mais é que concordar
Que nem tempo e distância vão nos separar.
Uns certos amigos, são todos lindos
Ai de quem disser que estou mentindo.
Acolho todos sob meu teto,
Viraram a família que escolhi ter perto.

texto VaniaAmadeu
ilustração @2008 Clarissa Paiva
http://variations.deviantart.com

Fingidora

"O poeta é um fingidor.Finge tão completamente.
Que chega a fingir que é dorA dor que deveras sente." (Fernando PESSOA)

Fingidora sou, ré, confesso,
A mim mesma perdão eu peço.
Fingia ser feliz completamente,
Que ninguém suspeitava: ela mente!
Fingia não doer
A dor que em mim doía.
Mais do que para os outros,
Pra mim mesma fingia.
Hoje finjo não mais
Assumo a dor que sentia
Que de felicidade eu fazia.
Feliz de mentira jamais!
Finjo hoje somente,
Quando estou menos sagaz
E com a inspiração dormente,
Para escrever ser capaz.

Sinestesia (sentidos)

Sinestesia (Sentidos)

vejo com meu tato
toco com meu olfato
ouço com meu paladar
cheiro com meus olhos
saboreio com meu nariz
meus sentidos se confundem
e se fundem, sinto...

Choro de Rir


Choro de rir de qualquer besteira
Depois de rir até me dá canseira
Rio tanto que me descontrolo
Me descabelo e quase no chão rolo
Tem hora que fico até sem ar.
Lágrimas brotam na face a rolar
Fica difícil, impossível falar
Explicar do que estou a rir de chorar.

Muito fizeram ao meu coração
Mas uma coisa não conseguirão:
Ceifar meu riso escandaloso e frouxo
Choro de rir esse meu riso louco
Reverbera no ar, interrompe conversas,
Cruza portões, muros e florestas...
Meu riso serve para aparar arestas
Enche a sala, atravessa a parede
Meu riso-choro é de vida cheio de sede.

@2008 vaniaamadeu


Desvenda-me

Podes entrar, nada é proibido.
Entre sem pedir licença, silenciosamente como a luz penetra, ilumina e aquece um ambiente.

Tens a chave da minha alma, mas mesmo assim não sabes o que encontrarás por lá.
Desvenda-me.

Ilustr
ação: @2008vaniaamadeu

Frases ao Vento

Out 2009
Em algum momento o bálsamo que você era se transformou em veneno... perdi o momento em que isto ocorreu e quando me dei conta disso, já estava completamente morta...

TRANSLATION ENGLISH: At some point the balsam that you used to be was transformed into venom... I missed the moment when that happened and when I realized, I was completelly dead...

Uma dor desconhecida parece sempre a maior que a gente já teve... nada mais patético do que comparar nossas dores. E a gente faz isso todo o tempo... afinal são sensações que nos mostram que ainda estamos vivos e que seguimos... doendo...


Até hoje me surpreendo com o previsível.

Gosto do gosto
das frutas vermelhas
do mês de agosto.


Hoje me aconteceu o inusitado: vivi

O que tenho de concreto não me basta, quero o abstrato.

Saborear o insípto, cheirar o inodoro é como ouvir o silêncio...

Estou do avesso. Minha alma está do lado de fora de mim.

Às vezes, começo pelo fim, as coisas que não gosto de fazer, só para ter a ilusão de que dói menos.

O desfazer é também um fazer...

"Tenho uma ótima memória...
Só não me lembro do que me esqueci.
"(Pai)

fev 09

Hoje me chamei algumas vezes... primeiro dei sinal de ocupado, depois não me atendi... mandei me dizer que não estava... que me fechei pra balanço.

Agora basta! Chega de mim por hoje! Amanhã me ignoro e pronto. Finjo que não me conheço.

Para eu ser prudente? Ha' coisa mais imprudente do que estar vivo?

Seu silêncio me ensurdece...

Ele não tem tempo de morrer agora... está muito ocupado com outras coisas.

Quer me matar me dê rotina: tudo igualzinho, previsível, a entediante mesmice... mas me mate de uma forma diferente, só para sair da rotina!


abril 2009

Não sei. Só não sei e nunca vou saber. Decidi não procurar mais respostas para os sentimentos alheios. Aceitar o não saber é uma opção, uma escolha libertadora.

Estou vazia e tão cheia. Cheia de nada. O nada é tão grande que me enche. Que nada é este que tomou conta de tudo?


Maio 09

Nada a dizer sobre o tudo que tenho vivido em mim.

Decidi matar num golpe rápido, os sentimentos que estão me matando devagar, à míngua. Na batalha entre meus eus, qual o eu que vence?

Tenho pavor de queda-livre, pois minha alma nunca se joga comigo.

Fecho os olhos e me vejo por dentro. Finalmente reconheço-me.

Anônimo identificado: não sei quem sou, só sei que eu sou eu.

Anônima, defino quem sou: a sem nome;
Identificada: sei que eu não sou apenas uma carteira de identidade,
em cuja foto não me reconheço.


Ilustração: @2008 vaniaamadeu



Eu brinco

Eu brinco com as palavras
e quando posso, pinto.
Desenho no papel
em preto retinto,
letras que sinto e rabisco
em linha, em círculo
tornando em pintura
impressa no papel:
o quadro de minh´alma
em postura nua
explícita, sem véu.
Poem for a nonexistent poem
(originalmente escrito em inglês)

I would like to write a poem that talks about love.
A poem full of rhyme and rhythm,
A poem that makes us cry candid tears.
I would like to write a poem that speaks to men
About the beauty of life and the urgency of peace.
A poem that inspires a child to open his frank smile,
That warms up the heart of concerned mothers,
And brings hope for despairing people.
I want to make a poem that provokes emotion in insensitive people.
A poem of pure Philosophy and reflection
And at the same time with no commitment,
Just to play with the words.
I want to write an exposure-poem,
That calls pleople's attention to the injustice of the world.
Could you imagine if I create an ecological-poem
That saves nature?
I should make a poem that talks with God.
A God with no religion, a friend God, an ecumenical God.
I want to make a poem that is read by everybody, in the whole world,
At the same time and all together in one voice.
A poem without languages or frontiers, an universal poem.
I want to do a poem like those that I used to do times ago,
Talking about things from the soul.
But I guess I do not know how to make a poem like those any more.
Actually, I do not know how to write a poem at all.
It could be a poem of poor rhyme and no rhythm.
It could be a little poem, tiny, even simple, but mine.
If I still knew how to write a poem...
If I knew it...
I certainly would write it...

@1997 vaniaamadeu (USA)
A Caminho de Mim

Sempre me perco a caminho de mim mesma.
Nunca sei quando cheguei a mim...
Quanto mais me aproximo,
Mais distante fico do meu eu.

Sigo procurando-me,
E quando me encontro
Já não sou mais a mesma.


SOU

Sou propensa a complicações,

a pensar demais,
a elaborar o óbvio
e não concluir nada.
Sou um emaranhado de pensamentos
desconexos e perdidos.
Sou uma confusão generalizada
de mim mesma.
Se ao menos eu visse
fio da minha meada,
a luz no fundo do meu tunel...
Eu acharia pelo menos
um pedaço de mim,
um fragmento dessa coisa
que chamam de EU.
Não sei

Não sei o que sou ou o que não sou.
Perdida, confundo-me para distinguir todos os meus eus dispersos.
Avisto-me de longe e não consigo me alcançar.
Vago...

Há uma pedra em meu peito

"No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra" (Carlos Drummond de Andrade)


Há uma pedra em meu peito
Quem a colocou lá
Trate de tirá-la agora, já!

Há uma pedra em meu peito
E é uma pedra tão dura
Quem a colocou lá... que ache a cura!

Há uma pedra em meu peito
Que está me matando.
Para me livrar dela, só exorcizando.

Há uma pedra em meu peito
Que não me deixa amar.
Duvido que alguém consiga quebrar?

Há uma pedra em meu peito
Que nada tem de preciosa
E aos poucos cresce, perigosa.

Há uma pedra em meu peito
Que pesa mais que chumbo.
Ah! se eu pudesse devolvê-la ao mundo!

Há uma pedra em meu peito
Que machuca, dói...
Detono agora ou ela me destrói.

Hoje eu tenha apenas uma pedra no meu peito, exijo respeito ao sou mais um sonhador (Chico Buarque)
Mudança Interior

Mudei...
Larguei minha bagagem pra trás.
Não preciso mais dela.
Pesa demais...

Talvez

Pelo SIM e pelo NÃO

fico com o TALVEZ
e todas as suas infinitas possibilidades
de me surpreender...
e de me levar a caminhos diferentes,
ao invés de ter só dois caminhos
que o SIM e o NÃO me oferecem.
Pobre Poesia

Minha poesia não tem luxo
É de rima pobre, ritmo esdrúxulo.
Não faça dos versos a desconstrução
Escorrem pelos dedos das mãos.
Líquida e certa é minha palavra
por isso escorre como água.
É quase gasosa minha poesia
Ferve, evapora, nunca esfria.
Rima pobre, sem compromisso
Principalmente pra quem é omisso.
É de uma pobreza subjetiva
Só fala a quem tem alma viva.
Não tem sentido concreto
Não dá para pegar seu objeto.
Não se pode tocar para entender
É ela que toca você.

Homem-Pássaro

Este poema é para meu pai,
Por amar tanto os pássaros.


Ele não só voa como os pássaros,
Voa com eles, observa seus passos.
Foi ele quem ensinou o papagaio a falar e a comer na mão,
Foi quem pintou as cores exóticas das penas do pavão,
Ajudou João-de-barro a planejar e a construir sua casa,
Ensinou o patos a voarem, a abrirem as asas.
Monstrou a aerodinâmica da “V” formação.
Ele ama os pássaros de coração.
Ele sonha o sonho de Dédalus,
Pega carona com Pégasus,
Pensa que é Santos Dumont.
Sejam cada vez mais longas
as asas de sua imaginação...



Ilustraçao: Foto stock
O Tanto que Amo

"Amo tanto e de tanto amar acho que ela é bonita..."(Chico Buarque)

O tanto que amo não pode ser medido com balança ou metro.
O tanto que amo não pode ser comparado a uma pilha de coisas até o teto.
O tanto que amo não tem o tamanho de nenhum objeto.
O tanto que amo... não me pergunte, não seja indiscreto.
O tanto que amo não depende da economia ou do mercado aberto.
O tanto que amo não planejo, nem projeto.
O tanto que amo... não me surpreende tanto afeto.
O tanto que amo não somo, subtraio, multiplico ou divido.
O tanto que amo não pode ser comprado ou vendido.
O tanto que amo é o mesmo tanto acordada ou se tiver dormido.
O tanto que amo não se conta nos cálculos que faço.
O tanto que amo não cabe num só abraço.
O tanto que amo não tenho mais tanto medo.
O tanto que amo não se esgota num só beijo.
O tanto que amo não é coisa deste mundo.
O tanto que amo é um sentimento puro e profundo.
O tanto que amo não cabe em meu coração.
O tanto que amo me transcende, dispensa apresentação.
O tanto que amo não é possível de se ver.
O tanto que amo não está no jornal, nem passa na TV.
O tanto que amo não é ciência exata, só tem que crer.
O tanto que amo é amor um tanto sincero, pra valer.
O tanto que amo? Não interessa tanto o quanto...
Tão ou mais importante é que amo tanto...
Amo tanto quanto posso e mais um tanto.

@2009 vaniaamadeu